Escrever para curar

A escrita terapêutica é uma ferramenta poderosa no processo de luto. Estudos mostram que escrever sobre experiências emocionais difíceis pode reduzir o stress, melhorar o sono e fortalecer o sistema imunitário. Não precisa de ser escritor. Não há respostas certas. Escreva sem julgamento, ao seu ritmo.

Como usar estes prompts

Choque e negação

Os primeiros dias e semanas após a perda. Quando a realidade ainda não se instalou completamente.

Onde estava quando soube?

Descreva o momento em que recebeu a notícia. O que viu, ouviu, sentiu. Quem estava consigo. O que pensou primeiro.

O que gostava de ter dito?

Se pudesse ter uma última conversa, o que diria? Que palavras ficaram por dizer?

O que mudou desde esse dia?

Como é a sua vida agora comparada com antes? O que é igual? O que é diferente?

Escreva uma carta à pessoa que partiu

Conte-lhe o que tem acontecido. O que sente. O que gostava que ela soubesse.

O que ainda não consegue acreditar?

Há momentos em que esquece que a pessoa já não está? Descreva esses instantes.

O que o/a está a ajudar agora?

Pessoas, ações, rotinas, pequenas coisas que estão a fazer a diferença neste momento.

Raiva e frustração

A fase em que a dor se transforma em revolta. Contra o mundo, contra as circunstâncias, por vezes contra a própria pessoa que partiu.

De que tem raiva?

Permita-se sentir raiva sem culpa. Escreva tudo o que o/a irrita, frustra ou revolta neste momento.

O que é injusto?

A morte parece muitas vezes injusta. Escreva sobre essa injustiça. O que deveria ter sido diferente?

O que gostava de gritar ao mundo?

Se pudesse dizer o que realmente sente, sem filtros, o que diria?

O que as pessoas dizem que o/a irrita?

"Ele/a está num lugar melhor", "O tempo cura" – que frases o/a incomodam e porquê?

Carta de desabafo

Escreva uma carta a quem quiser – Deus, o destino, o médico, a pessoa que partiu. Diga tudo o que precisa de dizer.

Negociação e culpa

Os "e se..." e os "devia ter...". A fase em que revisitamos o passado à procura do que poderíamos ter feito diferente.

Os seus "e se..."

Escreva todos os "e se..." que lhe passam pela cabeça. E se tivesse feito diferente? E se tivesse estado lá?

O que faria diferente?

Se pudesse voltar atrás, o que mudaria? Depois de escrever, reflita: era realmente possível mudar o resultado?

Uma carta de perdão

Escreva uma carta de perdão – a si mesmo/a, à pessoa que partiu, ou a outra pessoa. O que precisa de ser perdoado?

O que a pessoa que partiu lhe diria?

Se ela pudesse responder aos seus "e se...", o que diria? Escreva a resposta que imagina.

O que está fora do seu controlo?

Faça uma lista do que podia controlar e do que não podia. A culpa vem muitas vezes de confundir os dois.

Tristeza profunda

Quando a realidade da perda se instala. O peso da ausência no dia a dia.

O que mais sente falta?

Descreva em detalhe o que mais lhe faz falta. Os gestos, os sons, os hábitos, os pequenos nadas.

Um dia típico, antes e agora

Descreva como era um dia normal antes e como é agora. O que mudou na rotina?

O que ninguém vê?

Que dor esconde dos outros? O que sente quando está sozinho/a e ninguém está a ver?

Os objetos que ficaram

Escolha um objeto da pessoa que partiu. Segure-o enquanto escreve. O que lhe diz esse objeto?

O que precisa de ouvir?

Que palavras de conforto precisaria de ouvir agora? Escreva-as para si mesmo/a.

Aceitação e integração

Quando o luto começa a integrar-se na vida. Não é esquecer – é aprender a viver com a ausência.

O que aprendeu com esta pessoa?

Que lições, valores ou maneiras de ver o mundo herdou desta pessoa? Como isso o/a moldou?

A sua memória favorita

Descreva uma memória feliz em todos os detalhes. O que via, ouvia, sentia. Que cheiros havia. O que foi dito.

Como quer honrar esta pessoa?

De que formas pode manter viva a memória? Que tradições quer continuar? Que novos rituais quer criar?

O que é diferente em si?

Como esta experiência o/a mudou? O que vê de forma diferente agora? O que ganhou, apesar da perda?

Uma carta de gratidão

Escreva à pessoa que partiu, agradecendo-lhe tudo o que lhe deu. O amor, os ensinamentos, os momentos.

O que quer para o futuro?

Como imagina a sua vida daqui a um ano? Que esperanças tem? O que quer construir?

Escreva sem julgamento. Não há respostas certas.

O diário de luto é um espaço só seu. Não precisa de mostrar a ninguém. Pode escrever todos os dias ou apenas quando sentir necessidade. Pode rasgar o que escreveu ou guardar para sempre. O importante é dar espaço às suas emoções. Se sentir que a escrita está a despertar demasiada dor, faça uma pausa e considere partilhar com um profissional de saúde mental.