Precisa de falar com alguém agora?

Se está a passar por um momento difícil, pode ligar para a linha SNS 24 (808 24 24 24) ou para a SOS Voz Amiga (213 544 545, das 15h30 às 00h30). Não está sozinho/a.

Compreender o luto

O luto não segue etapas fixas

Embora se fale frequentemente em "fases do luto", a experiência real é muito mais fluida. O luto funciona mais como ondas que vêm e vão, com momentos de maior e menor intensidade. Cada pessoa vive este processo de forma única.

Reações comuns ao luto

  • Choque e incredulidade nos primeiros dias
  • Tristeza profunda e choro frequente
  • Raiva, frustração ou sentimento de injustiça
  • Culpa ou arrependimento por coisas não ditas
  • Ansiedade e medo do futuro
  • Saudade intensa e persistente

Manifestações físicas

  • → Cansaço e exaustão
  • → Alterações no sono (insónia ou excesso de sono)
  • → Alterações no apetite
  • → Dificuldade de concentração
  • → Dores físicas (peito, estômago, cabeça)
  • → Fragilidade do sistema imunitário

As 5 fases do luto

O luto não é linear. Podemos avançar e recuar entre fases, e isso é perfeitamente normal.

Negação "Não pode ser" Raiva "Porquê?" Negociação "E se..." Depressão "Sinto tanto..." Aceitação "Vou ficar bem" Progressão Pode recuar (normal)

Modelo de Kübler-Ross – o luto não é linear, é normal recuar entre fases

Luto normal vs luto complicado

Luto normal

O luto normal é uma resposta saudável à perda. Embora doloroso, a intensidade tende a diminuir gradualmente ao longo do tempo.

  • → A dor vem em ondas, com intervalos de alívio
  • → Consegue funcionar no dia a dia, mesmo com dificuldade
  • → Aceita gradualmente a realidade da perda
  • → Consegue recordar com carinho e com dor

Luto complicado

Em alguns casos, o luto torna-se persistente e incapacitante. Se os sintomas se mantiverem intensos após 12 meses, pode tratar-se de luto complicado.

  • → Incapacidade de aceitar a perda
  • → Dor intensa que não diminui com o tempo
  • → Evitação de tudo o que lembra o falecido
  • → Dificuldade em retomar a vida quotidiana

Quando procurar ajuda profissional

Se sente que o luto está a impedir-lhe de funcionar no dia a dia, se tem pensamentos de autolesão, ou se os sintomas se intensificam em vez de melhorar, procure ajuda profissional. Consulte o nosso guia Quando procurar ajuda.

Estratégias de autocuidado

Cuidar do corpo

  • → Tente manter uma rotina de sono
  • → Alimente-se regularmente
  • → Faça caminhadas ou exercício leve
  • → Evite abusar de álcool ou medicação

Cuidar da mente

  • → Permita-se sentir a dor
  • → Escreva sobre os seus sentimentos
  • → Não se pressione a "superar" rápido
  • → Evite tomar decisões importantes

Procurar apoio

  • → Fale com familiares e amigos
  • → Considere um grupo de apoio
  • → Consulte um psicólogo se necessário
  • → Aceite ajuda prática de quem oferece

Exercício de respiração

Respire ao seu ritmo. Não há pressa. Este exercício simples pode ajudar a acalmar o corpo e a mente.

Inspirar

O luto na cultura portuguesa

Tradições e costumes

Em Portugal, o luto tem tradições culturais próprias que podem oferecer conforto, mas também criar pressão. É importante respeitar o seu próprio ritmo.

Tradições comuns

  • → Velório na noite anterior ao funeral
  • → Missa de sétimo dia e de mês
  • → Vestir de preto ou cores escuras
  • → Período de "nó" (restrição social)
  • → Visita ao cemitério em datas especiais

Lembrar que...

  • → Não há obrigação de seguir todas as tradições
  • → Cada pessoa vive o luto à sua maneira
  • → Chorar ou não chorar são ambos normais
  • → Rir e sentir alegria não é falta de respeito
  • → O luto não tem prazo de validade

Recursos e grupos de apoio em Portugal

Linhas de apoio

  • SNS 24: 808 24 24 24 (24 horas)
  • SOS Voz Amiga: 213 544 545 (15h30-00h30)
  • Telefone da Amizade: 222 080 707 (16h-23h)

Apoio profissional

  • → Consultas de psicologia no centro de saúde (SNS)
  • → Ordem dos Psicólogos Portugueses
  • → Associações de apoio ao luto locais
  • → Grupos de apoio mútuo em hospitais