Prevenir é poupar tempo, dinheiro e desgaste

Após o falecimento de alguém próximo, a dor e o stress podem levar a decisões precipitadas ou a omissões involuntárias. Evitar estes 10 erros comuns pode poupar-lhe milhares de euros, meses de complicações burocráticas e conflitos familiares desnecessários. Leia cada um com atenção e siga as recomendações.

Os 10 erros e como evitá-los

1 Não pedir certidões de óbito suficientes

O erro: A maioria das famílias pede apenas 1 ou 2 cópias da certidão de óbito. Rapidamente descobrem que precisam de mais, e cada novo pedido implica deslocação, tempo de espera e custos adicionais.

O que fazer: Peça imediatamente pelo menos 5 certidões de óbito certificadas na Conservatória do Registo Civil. São necessárias para:

Ver guia: Primeiras 24 horas

2 Movimentar contas bancárias do falecido

O erro: Levantar dinheiro ou fazer transferências da conta do falecido antes de comunicar o óbito ao banco. Mesmo com acesso ao cartão ou homebanking, isto pode ser considerado apropriação ilegítima e complicar o processo de habilitação de herdeiros.

O que fazer: Notifique o banco do óbito o mais rapidamente possível. O banco irá congelar as contas até à habilitação de herdeiros. Se houver despesas urgentes (como o funeral), alguns bancos autorizam o levantamento de um montante limitado mediante apresentação da fatura funerária.

Ver guia: Contas bancárias

3 Aceitar herança sem verificar dívidas

O erro: Aceitar a herança sem primeiro verificar se o falecido tinha dívidas. Em Portugal, ao aceitar uma herança, o herdeiro assume a responsabilidade pelas dívidas até ao valor dos bens herdados (aceitação a benefício de inventário). No entanto, se aceitar pura e simplesmente, pode responder com o seu próprio património.

O que fazer: Antes de aceitar a herança, consulte a Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal para verificar dívidas e créditos em nome do falecido. Se as dívidas superarem os bens, considere seriamente o repúdio da herança.

Ver guia: Repúdio da herança

4 Não declarar óbito às Finanças nos 30 dias

O erro: Ignorar ou atrasar a comunicação do óbito à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT). A lei exige que o falecimento seja comunicado às Finanças no prazo de 30 dias, juntamente com a relação de bens do falecido (Modelo 1 do Imposto do Selo).

O que fazer: Comunique o óbito no Portal das Finanças ou presencialmente num serviço de Finanças dentro do prazo de 30 dias. O cabeça-de-casal é responsável por esta declaração.

Ver guia: Finanças do falecido

5 Dividir bens informalmente sem partilha legal

O erro: Acordar verbalmente entre irmãos ou familiares "quem fica com o quê" sem formalizar a partilha. Mesmo quando todos concordam, a divisão informal não tem valor legal – qualquer herdeiro pode impugnar mais tarde, e os bens continuam formalmente em nome do falecido.

O que fazer: Formalize sempre a partilha. Pode ser feita por:

Ver guia: Partilha da herança

6 Pagar funeral sem pedir orçamento

O erro: Contratar a primeira funerária disponível sem comparar preços ou pedir orçamento escrito. Sob pressão emocional, as famílias tendem a aceitar os preços apresentados sem questionar, podendo pagar valores significativamente acima da média.

O que fazer: Mesmo no momento difícil, peça sempre orçamento escrito e detalhado de pelo menos 2 a 3 agências funerárias. Saiba que tem direito ao subsídio de funeral da Segurança Social.

Ver guia: Custos de funeral

7 Ignorar prazos do imposto de selo

O erro: Não submeter a declaração de imposto de selo (Modelo 1) nos prazos legais. Muitas famílias desconhecem esta obrigação ou confundem-na com a declaração de IRS, deixando passar o prazo de 30 dias e incorrendo em multas.

O que fazer: O cabeça-de-casal deve submeter o Modelo 1 do Imposto do Selo no prazo de 30 dias após o óbito, identificando todos os bens do falecido (imóveis, contas bancárias, veículos, etc.).

Ver guia: Finanças do falecido

8 Não cancelar contratos e continuar a pagar

O erro: Esquecer-se de cancelar contratos de telecomunicações, energia, água, seguros, ginásios, streaming e outras subscrições. Os débitos diretos continuam a ser cobrados na conta do falecido (ou do cônjuge), acumulando meses de pagamentos desnecessários.

O que fazer: Faça um levantamento de todos os contratos e subscrições e cancele ou transfira cada um. A morte do titular é motivo de justa causa para rescisão sem penalização, mesmo em contratos com fidelização.

Ver guia: Cancelar contratos

9 Não verificar se existia testamento

O erro: Assumir que o falecido não deixou testamento sem verificar. Em Portugal, os testamentos são registados na Central de Testamentos e podem alterar significativamente a forma como a herança é distribuída. Um testamento desconhecido pode anular uma partilha já feita.

O que fazer: Verifique sempre se existe testamento antes de iniciar qualquer processo de partilha.

Ver guia: Testamento

10 Não pedir pensão de sobrevivência a tempo

O erro: Esperar que a pensão de sobrevivência seja atribuída automaticamente. Ao contrário do que muitos pensam, esta pensão não é automática – tem de ser requerida pelo beneficiário. Quanto mais tarde pedir, mais meses de pensão perde, pois o pagamento retroativo é limitado.

O que fazer: Requeira a pensão de sobrevivência o mais rapidamente possível após o óbito, através da Segurança Social Direta ou presencialmente.

Ver guia: Calculadora de pensão

A melhor forma de evitar estes erros

Siga a nossa checklist interativa passo a passo. Criámos uma lista completa e organizada cronologicamente com todos os procedimentos necessários após um falecimento em Portugal – desde as primeiras horas até ao final do primeiro ano. Ao seguir a checklist, minimiza o risco de esquecer qualquer passo importante.

Quando pedir ajuda profissional

Em casos mais complexos – heranças com dívidas, imóveis em vários países, vários herdeiros com desacordo, ou testamentos com disposições invulgares – recomendamos fortemente a consulta de um advogado ou solicitador especializado em direito sucessório. O custo de uma consulta jurídica é insignificante comparado com os problemas que pode evitar.

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